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Direito Imobiliário

Sua casa pode estar entre as 2.846 regularizadas na Zona Norte de SP; veja os nove locais beneficiados

Prefeitura concluiu a formalização de imóveis em nove núcleos habitacionais de Jaçanã e Tremembé. Somente o Jardim Flor de Maio concentra 1.661 residências contempladas; documentos foram entregues gratuitamente pelo programa Escritura na Mão.

Redação Banca PaulistaRedação
Publicado em
9 min de leitura
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Imagem editorial de fallback da Banca Paulista

Moradores de nove núcleos habitacionais da Zona Norte de São Paulo foram contemplados com a regularização de 2.846 imóveis, em uma operação de formalização da propriedade anunciada pela Prefeitura no dia 10 de setembro de 2026.

A iniciativa faz parte do programa Escritura na Mão, que oferece gratuitamente documentos de propriedade a famílias contempladas pelos processos municipais de regularização habitacional. A entrega aconteceu durante uma edição do programa Prefeitura Presente, realizada na região de Jaçanã e Tremembé.

O maior número de imóveis regularizados está no Jardim Flor de Maio, com 1.661 domicílios, seguido pelo Jardim Estrela Dalva, com 433, e pelo Jardim Corisco, com 251. A operação também incluiu moradias no Portal da Cantareira, Jardim das Furnas, Jardim São João e outras localidades.

Com essa etapa, a administração municipal informou ter alcançado 100.234 imóveis regularizados em São Paulo desde 2021, considerando os diferentes mecanismos de regularização e emissão de documentos que compõem o programa.

Para as famílias beneficiadas, a principal mudança está na segurança jurídica sobre o imóvel, incluindo melhores condições de comprovação da propriedade e transmissão patrimonial aos herdeiros.

Veja os nove locais da Zona Norte que receberam regularização de imóveis

Núcleo habitacionalImóveis regularizados
Jardim Flor de Maio1.661
Jardim Estrela Dalva433
Jardim Corisco251
Portal da Cantareira196
Condomínio Jardim das Furnas128
Jardim São João82
Jardim Joana D'Arc57
Acesso São Gabriel com Rua Projetada34
Núcleo João Rios4
Total2.846

O Jardim Flor de Maio representa aproximadamente 58,4% dos imóveis contemplados nessa etapa da regularização fundiária. O Jardim Estrela Dalva responde por cerca de 15,2%, enquanto o Jardim Corisco concentra aproximadamente 8,8%. Juntos, esses três núcleos representam mais de 82% das unidades regularizadas na operação.

A relação se refere aos núcleos habitacionais incluídos no processo anunciado em setembro de 2026, e não a todas as residências existentes nos respectivos bairros. O fato de um imóvel estar localizado em uma dessas comunidades não significa, por si só, que ele tenha sido incluído no procedimento. Para confirmar a situação de uma residência específica, é necessário verificar os registros e documentos correspondentes à unidade.

Famílias esperaram até 28 anos para receber documentos

A regularização fundiária também representa o encerramento de longos períodos de incerteza para moradores que construíram suas vidas em comunidades consolidadas. Durante a cerimônia, a Prefeitura apresentou relatos de famílias que aguardavam havia décadas o reconhecimento formal de seus imóveis.

A costureira Ione Aparecida Marques recebeu o documento que marcou a entrega simbólica de número 100 mil do programa. Segundo seu relato à administração municipal, a espera durou 28 anos. Outro beneficiário, o marceneiro Isael Lucena da Silva, de 56 anos, informou que ele e sua irmã aguardavam havia dez anos pela documentação.

A dona de casa Edilene Maria de Souza, de 43 anos, relatou uma espera de aproximadamente 20 anos. Também foi apresentado o caso de Maria Aparecida de Lima Campos, de 62 anos, e de seu marido, José Albertino Medeiros Campos, de 60 anos, que aguardavam a regularização da residência onde vivem há mais de 25 anos.

Os relatos ilustram uma dificuldade recorrente em áreas urbanas consolidadas: famílias podem residir durante décadas em determinado imóvel sem possuir todos os documentos necessários para demonstrar formalmente a propriedade perante o registro imobiliário.

Escrituras foram entregues gratuitamente; prefeito cita custo de R$ 2.850 por documento

Um dos aspectos destacados pela Prefeitura foi a gratuidade da entrega aos beneficiários. Durante a cerimônia, o prefeito Ricardo Nunes afirmou que o documento teria custo de R$ 2.850 e ressaltou que as famílias contempladas não precisariam pagar pela emissão realizada no âmbito do programa.

O valor mencionado pelo prefeito não deve ser interpretado como tarifa geral aplicável a todas as escrituras ou procedimentos de registro imobiliário em São Paulo, pois os custos cartorários variam conforme o ato e as condições legais de cada operação.

O programa reúne duas frentes principais de atendimento. A Secretaria Municipal de Habitação (SEHAB) atua nos processos de regularização fundiária de núcleos urbanos consolidados. Já a Companhia Metropolitana de Habitação de São Paulo (COHAB-SP) é responsável pela emissão de escrituras relacionadas aos empreendimentos habitacionais de sua competência.

Embora ambas integrem o mesmo programa municipal, os instrumentos jurídicos empregados podem ser diferentes conforme a situação do imóvel.

O que muda quando uma família recebe o título de propriedade?

A formalização da propriedade pode produzir efeitos relevantes para a segurança patrimonial de uma família. A existência de documentação adequada e seu registro, quando necessário, ajudam a demonstrar quem possui os direitos sobre determinado imóvel.

Entre as consequências possíveis estão:

  • Maior segurança jurídica na identificação do proprietário;
  • Melhores condições para transmissão do imóvel aos herdeiros;
  • Redução de dificuldades documentais em futuras negociações;
  • Maior clareza sobre os direitos relativos ao terreno e à construção;
  • Possibilidade de acesso a determinados serviços e operações que exigem documentação imobiliária regular.

Entretanto, a entrega de um documento administrativo não equivale automaticamente, em todos os casos, ao registro definitivo da propriedade. O efeito jurídico depende da natureza do título, do procedimento realizado e da situação registral do imóvel.

Por esse motivo, é importante distinguir escritura, matrícula imobiliária, registro da propriedade e outros instrumentos utilizados na regularização fundiária.

Escritura e registro são a mesma coisa?

Não necessariamente. A escritura pública é um instrumento formal que documenta determinados negócios ou declarações jurídicas. O registro imobiliário é o procedimento pelo qual determinados direitos e atos passam a constar oficialmente da matrícula do imóvel.

Em operações imobiliárias comuns, a transferência da propriedade entre pessoas vivas depende, como regra, do registro do título translativo no Cartório de Registro de Imóveis competente. Na regularização fundiária urbana, existem mecanismos específicos previstos em legislação federal, que podem incluir o registro da Certidão de Regularização Fundiária e a abertura de matrículas individualizadas.

Por isso, o documento recebido pelo morador precisa ser examinado conforme a modalidade de regularização utilizada.

Lei de Regularização Fundiária estabelece procedimentos para formalizar imóveis

A Lei Federal nº 13.465/2017 regulamenta importantes mecanismos de regularização fundiária urbana, conhecidos pela sigla Reurb. A legislação permite que o poder público desenvolva procedimentos destinados a incorporar núcleos urbanos informais à cidade formal, observadas as exigências legais e urbanísticas.

A lei estabelece duas modalidades gerais: Reurb-S, destinada a núcleos urbanos informais ocupados predominantemente por população de baixa renda, conforme declaração do poder público competente; e Reurb-E, aplicável aos núcleos urbanos informais que não se enquadram na modalidade de interesse social.

A regularização pode envolver levantamento da situação fundiária, elaboração de projetos, identificação dos ocupantes, providências administrativas e registro imobiliário. O artigo 28 da lei descreve as fases do procedimento de regularização. Já os artigos 42 e seguintes disciplinam aspectos do registro da regularização fundiária e da abertura de matrículas.

Para os moradores, o principal benefício jurídico é a possibilidade de transformar uma ocupação ou situação documental irregular em uma relação formalmente reconhecida, conforme a modalidade aplicável. Isso não significa que qualquer ocupação possa ser regularizada automaticamente. Existem exigências legais, urbanísticas, ambientais e documentais que precisam ser analisadas em cada caso.

Como verificar se um imóvel foi contemplado?

Moradores dos nove núcleos citados podem procurar os canais oficiais da Secretaria Municipal de Habitação para verificar informações sobre a regularização. O ideal é identificar o imóvel individualmente, inclusive seu endereço, eventual inscrição imobiliária e documentação já existente.

A consulta deve buscar esclarecer:

  • Se a unidade efetivamente integra o núcleo regularizado;
  • Se o morador está identificado como beneficiário;
  • Qual documento foi emitido;
  • Se existe registro imobiliário correspondente;
  • Se há pendências cadastrais ou documentais;
  • Qual órgão municipal é responsável pelo procedimento.

Em determinadas situações, também poderá ser necessário consultar o Cartório de Registro de Imóveis competente para verificar a matrícula e os direitos registrados.

É importante não confundir a existência de uma cerimônia de entrega de documentos com a abertura de inscrições para novos beneficiários. A Prefeitura não apresentou, na publicação examinada sobre essa entrega, um prazo específico de inscrição destinado a todos os moradores dos nove núcleos. Portanto, não há fundamento para afirmar que qualquer proprietário possa simplesmente solicitar uma escritura gratuita em razão de morar em uma das localidades relacionadas.

Prefeitura anuncia R$ 681,8 milhões para ampliar regularização em São Paulo

Além da entrega de documentos na Zona Norte, a Prefeitura anunciou a contratação de uma nova etapa de expansão do programa Escritura na Mão. Segundo a administração municipal, o contrato possui valor de R$ 681,8 milhões e prevê ampliar a capacidade de regularização habitacional nos próximos 60 meses. A expectativa apresentada é de atendimento a mais de 363 mil famílias em diferentes regiões da capital.

O anúncio indica a intenção de ampliar o alcance da política habitacional, mas não significa que todas essas famílias já receberam documentos ou tiveram seus imóveis regularizados. O número representa a previsão de atendimento associada à expansão contratada. A execução efetiva, os imóveis contemplados e os resultados deverão ser verificados nas etapas seguintes do programa.

Regularização imobiliária pode influenciar heranças, vendas e segurança patrimonial

A entrega de documentos de propriedade possui repercussões que ultrapassam a política habitacional. Para famílias que desejam transmitir seus imóveis a filhos e netos, a ausência de documentação adequada pode dificultar inventários, partilhas e outros procedimentos sucessórios. Problemas semelhantes aparecem em transações de compra e venda, quando a identificação do titular do imóvel ou a existência de registros pendentes gera insegurança jurídica.

A regularização pode reduzir essas dificuldades. Entretanto, o documento não elimina automaticamente disputas particulares, dívidas, restrições registradas ou outras situações jurídicas que eventualmente afetem determinado imóvel. A segurança patrimonial depende da análise da documentação completa. Em imóveis provenientes de regularização fundiária, também é importante verificar eventuais condições específicas relacionadas à modalidade de titulação adotada.

Jaçanã e Tremembé concentram uma das maiores entregas recentes de documentos

A operação de setembro de 2026 representa um avanço na formalização de moradias em uma região caracterizada pela presença de bairros residenciais consolidados e áreas que passaram por diferentes processos de expansão urbana. A regularização de 2.846 unidades atinge diretamente nove núcleos habitacionais.

O resultado também cria oportunidades para o planejamento de melhorias urbanas, embora a entrega de documentos não signifique, isoladamente, que obras de infraestrutura tenham sido contratadas ou executadas nesses locais. A integração de comunidades à cidade formal depende de medidas complementares relacionadas a serviços públicos, saneamento, mobilidade, infraestrutura e planejamento territorial.

Situação atual: imóveis contemplados e expansão do programa

A Prefeitura informou, em 10 de setembro de 2026, a conclusão da formalização dos 2.846 imóveis e a entrega dos respectivos documentos no âmbito do Escritura na Mão. A administração também anunciou ter superado a marca de 100 mil imóveis regularizados desde 2021.

Até a data de referência desta reportagem, não foi identificada nas fontes consultadas uma atualização individualizada sobre eventuais pendências posteriores de cada uma das unidades contempladas. Os proprietários e moradores interessados em confirmar a situação de um endereço específico devem procurar os canais oficiais da SEHAB ou da COHAB-SP, conforme a origem do procedimento.

A relação dos nove núcleos apresentada nesta reportagem permite identificar as localidades atendidas, mas não substitui uma consulta individual à documentação do imóvel.